Os outros claustros organizam-se de forma semelhante, sendo certo, porém, que o dos corvos e o da Micha constituem versões, por assim dizer, "reduzidas" do modelo mais nobre. Tratou-se, também, de definir áreas mais funcionais, destinadas ao noviciado e à assistência, pelo que nunca chegaram ao nível de acabamento e perfeição dos restantes, embora correspondam como que a uma reteiração de tipologia. O Claustro dos Corvos, edificado entre 1539 e 1546 pelo que se testemunha nos milésimos de datação das chaves das dependências que se encontram em seu redor, possui planta quadrada, com quatro galerias de cerca de 29 m cada. O piso inferior é marcado por quatro tramos com dupla arcada assente em robustas colunas lisas com capitéis de grande cesto, separados por um contraforte quadrangular. No piso superior encontram-se quatro tramos fechados, com janelas rectangulares com avental e duas platibandas continuas, uma inferior sob o avental das janelas e outra servindo de limite superior. As galerias inferiores são abobadadas. Serve de rótula de organização dos espaços serventuários do convento: uma adega, armazéns e um corredor de acesso a outras dependências dos pisos térreos. Um desses espaços, o antigo celeiro, situado na galeria sul, foi transformado em capela da Sociedade Missionária Portuguesa, actualmente servindo como sala de conferências do convento. Todas estas dependências são abobadadas com sistemas nervurados, excepto esta última, com uma abóbada de caixotões. A norte encosta-se a cozinha e a nascente o refeitório. O Claustro da Micha, de tipologia idêntica, foi igualmente edificado precocemente, num período que vai de 1530 a 1546. Uma inscrição que se encontra numa das chaves da abóbada da galeria poente indica o milésimo 1543. Os pisos superiores são diversos de galeria para galeria: no lado sul corre uma varanda, delimitada por uma platibanda. A parede da Nova Hospedaria filipina, recuada, compõe o alçado daí para cima, aqui igualmente assente em arcos cegos abatidos, como acontece no Claustro da Hospedaria. A fachada norte é marcada pela construção, ampla mas pouco adjectivada - para não dizer "pobre" em termos arquitectónicos - , da casa do dom prior, acrescentada à composição inicial em altura, algo desajeitadamente. A fachada poente apresenta uma fórmula completamente diversa das restantes fachadas das galerias claustrais do convento. De facto, desse lado apresentam-se três corpos distintos, embora tipologicamente idênticos entre si, com grandes frontões triangulares decorados por medalhões e rematados por urnas, jarras e "pomas ou globos cósmicos.
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Data de criação : 07/09/01 Última actualização : 09/01/03 17:49 / 829 Artigos publicados
Monumentos Nacionais
Convento de Cristo (Monumentos Nacionais) Inserido Sunday 03 February 2008 21:51
Convento de Cristo (Monumentos Nacionais) Inserido Sunday 03 February 2008 00:08
O Claustro da Hospedaria, construído sensivelmente entre
1541 e 1542, situado imediatamente a poente, preserva um conjunto
dos traços constituintes do que deve ter sido a forma
adoptada no Claustro Grande, com excepção para o
primeiro piso, mais simples, com arquitraves em vez de arcos. Uma
vez mais, pressente-se aqui a influência da cultura da
cultura arquitectónica plateresca veiculada por Diego de
Sagredo, nomeadamente na composição dos
alçados. Destinava-se a aposentadoria. É composto por
quatro galerias de 29 m de comprimento cada. No lado norte o
claustro recebeu um terceiro piso, mensos alto que a galeria
superior mas com o mesmo tipo de desenho (arquitrave e coluna
central, com cobertura de madeira e telha).
Convento de Cristo (Monumentos Nacionais) Inserido Saturday 02 February 2008 23:46
Por sua
vez, a sala do capitulo, de acesso directo através destas
portadas iconografadas a partir do piso térreo, nunca
terá sido completada. Tendo proporções
"manuelinas" e uma organização, em termos de
alçado, de raíz gótica (certamente iniciada
por volta de 1515, mas com obras retomadas já em 1530,
imediatamente após o inicio da reforma conventual), o seu
piso superior, ao qual se acede pelo terraço de entrada ao
nível da igreja, possui ao fundo um arco triunfal manuelino,
eventualmente remontado. Por baixo, Castilho abriu outra
dependência - uma espécie de cripta - durante a
campanha de 1533-1540.
Convento de Cristo (Monumentos Nacionais) Inserido Friday 01 February 2008 23:44
O refeitório foi
executado em finais da década de 1530. A sala possui cerca
de 33 m de comprimento por 9 m de largura e é coberta por
uma abóbada de canhão, com caixotões
delimitados por nervuras de secção quadrangular e
modernatura clássica, em pedraria,, definindo seis registos.
Assenta uma cornija contínua. Ao funso rasgam-se duas
janelas com arcos de volta perfeita geminados, sobrepujadas por
dois espelhos, de cada lado de uma edícula onde se
encontraria, originalmente, uma tábua com tema religioso.
Dois púlpitos, um dos quais datado de 1536, encontram-se em
cada uma das paredes mais longas da sala, frente a frente, e com
acesso por dentro do muro.
Convento de Cristo (Monumentos Nacionais) Inserido Friday 01 February 2008 23:21
O cruzeiro, com a sua
arquitectura límpida e despojada, coberta por uma monumental
e extensíssima abóbada de berço com
caixotões em madeira de carvalho, constitui outro depoimento
classicista. As paredes são revestidas até meia
altura por azulejos de padrão azuis e brancos. O piso alto
deste corpo e o piso imediatamente debaixo deste, ambos com a forma
de cruz latina, obedecem a principios funcionais estritos. Trata-se
da área onde se distribuíam as celas dos cerca de 40
ao todo, ficando quatro delas no corredor que aponta para sul,
quatro no corredor que aponta para norte, e mais 12 no corredor que
aponta para poente. As restantes 20 celas dispunham-se no corredor
inferior. Cada corredor possui cerca de 49 m de comprimento, no wue
era a maior construção portuguesa deste tipo, para
mais articulada com numerosas dependências satélites,
conforme impunha a regra monástica - simplicidade, o coro e
igreja a norte, o Claustro Grande a sul, o refeitório a
poente. No lugar onde os dois corredores se encontram forma-se o
cuzeiro propriamente dito, interessante peça
arquitectónica, projectada por Castilho com a
assistência de Pedro de Agorreta, coberta por lanternim.
Quebra a grande sobriedade do conjunto, com a sua cúpula em
"barrete de clérigo" - outra concessão plateresca - e
decoração em relevo (guirlandas, putti).
Culminando o corredor que corre no sentido poente-nascente,
encontra-se um espaço cúbico, edificado em 1533.
Trata-se de uma capela onde se encontra a imagem de Cristo Sentado
ou Senhor da Cana Verde, escultura de 1654 executada por
Inácio da Encarnação, colocada sob um
baldaquino, num trono pré-barroco que ocupa quase todo o
volume interior do templete. O tecto da capela é uma
abóbada de canhão de pedraria, decorada por 91
caixotões de pedra. Todos eles possuem um tema
iconográfico em relevo, com motivos insólitos - um
"hermes", a figura do rei, um "bobo", os TRabalhos de
Hércules, episódios da história de
Sansão e Dalila, bem como quatro episódios
relacionados com uma história moralista.




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